O sinal na orelha e o risco do coração: o que a morte de Henrique Maderite nos lembra

A morte do influenciador Henrique Maderite, aos 50 anos, noticiada como causada por infarto fulminante, foi um evento trágico. Acabou trazendo a tona uma conversa que vale a pena ter com calma: é possível reconhecer sinais de risco cardiovascular e agir antes que seja tarde?

Em meio às discussões nas redes, muita gente reparou em um detalhe visível em fotos e vídeos: uma dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como Sinal de Frank. Antes de qualquer coisa: não dá para “diagnosticar” ninguém pela internet, e um sinal físico isolado não explica a história clínica de uma pessoa. O valor desse tema é outro: ele serve como lembrete de que, às vezes, o corpo dá pistas, e vale investigar antes de qualquer susto.

O que é o Sinal de Frank?

O Sinal de Frank é uma prega diagonal no lóbulo da orelha. Ele recebeu esse nome porque foi descrito pelo médico Sanders T. Frank, que observou o achado em pacientes com angina em 1973. Desde então, estudos avaliaram se essa dobra aparece com mais frequência em pessoas com doença aterosclerótica, especialmente doença nas artérias do coração.

Ter o sinal de Frank aumenta um pouco sim a suspeita de risco cardiovascular, mas não é definitivo.

  • Muita gente com doença cardiovascular não tem a dobra.

  • Por volta de 30% de pessoas sem doença cardiovascular, tem o sinal de Frank.

Na prática, é um alerta amarelo. Quando ele está presente, vale usar isso como motivo para rever seu risco cardiovascular.

Busto de mármore do imperador Adriano vestindo traje militar, do Pantanello, na Villa de Adriano, d.C. 117–118, Museu Britânico. É possivel ver claramente o sinal de Frank em sua orelha. This file is licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike 2.0 Generic license.

O que realmente importa para prever risco cardiovascular?

O risco do coração não depende de um detalhe isolado. O que manda é o conjunto, como:

  • Pressão alta

  • Colesterol e triglicérides

  • Diabetes / pré-diabetes

  • Tabagismo

  • Excesso de peso e circunferência abdominal

  • Sedentarismo

  • Histórico familiar

  • Sintomas de doença cardíaca (desconforto no peito, falta de ar aos esforços)

Quando avaliamos isso de forma organizada, fica mais fácil decidir o que fazer: metas realistas de prevenção, exames bem indicados (sem excesso) e, quando necessário, tratamento.

Se você notou essa dobra na sua orelha, o que fazer?

Se você percebeu o Sinal de Frank (ou se alguém comentou), use isso como um incentivo para fazer o que realmente protege: avaliar seu risco cardiovascular de forma individual. Se você quer conhecer melhor o seu risco cardiovascular, agende sua consulta, para avaliar seu risco e quais medidas que podem reduzir ou prevenir uma complicação cardiovascular no futuro.

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